O que é prólogo de um livro e como escrever o seu

O que é, o que é… Todos já nos deparamos com um; às vezes é como um ponto final, às vezes é um portal mágico; os escritores talvez temam, e os leitores sempre amam? Caso ainda não tenha ficado claro, neste artigo vou explicar o que é prólogo de um livro!

Como sempre, não vou ficar só na definição. Aqui você também encontra exemplos, informações sobre os tipos de prólogo e dicas para escrever o seu.

Bora nessa? 🤗

O que é prólogo de um livro?

O prólogo de um livro é uma seção introdutória que precede o início da história principal. Essa parte do livro normalmente é usada para capturar a atenção do leitor, deixá-lo curioso, ou apresentar algum aspecto importante da história, fornecendo informações importantes sobre o contexto, a ambientação, os personagens ou acontecimentos relevantes.

Ele é como um aperitivo para o resto da história, e tem mesmo esse objetivo de deixar o leitor com “gostinho de quero mais”. A maneira como é construído e o que revela, no entanto, varia muito de um livro para o outro.

É importante dizer, também, que nem todo livro tem prólogo. Ao escrever este artigo, eu busquei exemplos de prólogos em minha estante de livros e o primeiro que abri (A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói) não tinha essa seção. No caso da edição que tenho em mãos (da Antofágica), a primeira sessão do livro, que contextualiza e introduz a obra, é um prefácio.

Qual é a diferença entre prólogo e prefácio?

Embora o prólogo e o prefácio sejam ambos elementos introdutórios em um livro, eles têm propósitos e conteúdos diferentes.

Ao contrário do prólogo, o prefácio está completamente fora da narrativa, e pode até ser escrito por alguém que não seja o autor do livro. É muito comum que especialistas escrevam prefácios de clássicos, por exemplo. Em alguns casos, amigos e colegas de trabalho do autor podem escrever este trecho. Em outros, o prefácio se torna uma mistura de tudo isso.

O objetivo do prefácio é fornecer um contexto mais amplo e contextualiza o livro enquanto obra, bem como traz informações relevantes sobre o autor e seu legado, ao invés de contextuar elementos da narrativa.

Tipos e exemplos de prólogo

Voltando ao tema central deste artigo… Ver exemplos de prólogo e como são construídos de formas completamente diferentes pode ajudar não apenas no entendimento do conceito e significado, mas também criando referências úteis para escritores que queiram escrever um.

Acontecimento passado que define a história

Esse é o caso, por exemplo, do prólogo de O Olho do Mundo, o Livro 1 de A Roda do Tempo, de Robert Jordan. No prefácio de pouco mais de três páginas, o autor apresenta, a partir de “trechos” de “autores desconhecidos”, o evento que determinou todo o universo e a história que vai contar em sua série: a ruptura do mundo.

É interessante que essa ruptura não traz a perspectiva dos personagens envolvidos. Ela é contada como um relato encontrado em um livro de história antigo — o que cria a ambientação ideal para a narrativa que a segue.

Em um livro de 798 (na edição da Intrinseca), este prólogo é bastante curto. Os capítulos seguintes seguem uma estratégia narativa completamente diferente, e uma história que se passa eras após os acontecimentos narrados no prólogo.

Perspectiva de determinado personagem

O prólogo de As Brumas de Avalon, série de Marlon Zimmer Bradley, também é relativamente curto (menos de três páginas), mas segue um formato completamente diferente daquele usado por Robert Jordan.

A frase “Morgana fala…” é seguida de um texto escrito em primeira pessoa e em itálico, em que a protagonista da história se apresenta e introduz a narrativa como se fosse uma contadora de histórias. Em determinado momento, ela diz que “Ao contar esta história, falarei por vezes de coisas que ocorreram quando eu ainda era demasiado jovem para compreendê-las, ou quando não estava presente”.

Este tipo de prefácio apresenta a história sob uma perspectiva que pode cativar o leitor, gerando curiosidade ou até mesmo identificação, mas traz um risco potencial: se o resto da narrativa diverge muito deste ponto de vista, pode causar frustração.

Não é o caso de As Brumas de Avalon que, mesmo seguindo a narrativa em terceira pessoa, continua mantendo os elementos citados por Morgana como centrais durante toda a história.

Começando pelo fim

Outra forma de se escrever um prólogo é apresentar ao leitor o fim da história. Imagine, por exemplo, um livro sobre um assassinato, em que o prólogo mostra a cena derradeira — e em que os próximos capítulos sejam responsáveis por traçar o percurso até esse fim.

Essa é uma maneira de construir o enredo que costuma ajudar na construção de suspense, e funciona muito em histórias que contrariam as expectativas (contendo os famosos plot twists).

O prólogo de As Brumas de Avalon também é um bom exemplo desse tipo de construção, já que traz a perspectiva de Morgana após o fim de todos os acontecimentos narrados. O que causa curiosidade é o desenvolvimento da própria protagonista e como a sua percepção de mundo vai mudando ao longo da história.

Informações do universo

O prólogo de O Senhor dos Anéis, muito mais longo do que de costume (em minha versão, ele conta com 15 páginas), é dividido em cinco partes. As quatro primeiras tratam de temas importantes do universo criado por Tolkien: 1. A respeito dos hobbits, 2. A respeito da erva-de-fumo, 3. Sobre a organização do Condado e 4. Sobre o Achado do Anel. A quinta parte leva o nome de “Nota sobre os registros do Condado.”

Apesar de muitos acharem esse prólogo cansativo, ele é uma escolha bastante interessante de Tolkien: ao apresentar essas informações, ele menciona arquivos históricos e referências do próprio universo — criando, com isso, um sistema de informações e conhecimento próprio do mundo em que a história se passa.

Além disso, apesar de trazer todas essas características do universo com uma aparente frieza, ele já começa a dar o tom da narrativa que vem a seguir: essa coisa que mistura o aparentemente infantil com a fantasia épica e contrasta o Condado com aventuras cheias de uma maldade primitiva.

Como escrever um prólogo de livro?

O prólogo de um livro é como o primeiro parágrafo de um conto: é preciso levar em consideração a importância da primeira impressão.

Leia também: Como começar um conto?

Eu assumo que fiquei chocada com a quantidade de livros que não têm prólogo que encontrei enquanto fazia a pesquisa para este artigo. Mas, apesar disso, todos esses livros tinham um início forte e marcante.

O começo de um livro não precisa ser cheio de emoção (a maior parte dos autores constrói o clímax ao longo da narrativa), mas é fato que ele precisa ser cativante. E aqui vão algumas dicas para construir isso:

1. Defina o propósito de seu prólogo

Antes de começar a escrever, entenda o que você quer construir com esse prólogo. Ele pode servir para estabelecer o tom da história, apresentar personagens importantes, fornecer informações de contexto ou criar suspense — e ter um objetivo claro vai te ajudar a criar o prólogo ideal.

2. Conheça sua história

No livro que estou escrevendo, por exemplo, meu objetivo com o prólogo é começar a história com uma cena de ação e suspense, que apresente uma personagem secundária importante e sua relação com a magia e a política de seu universo — introduzindo, também, esses dois sistemas que são essenciais na história.

Esse é o tipo de decisão que eu só posso tomar porque conheço minha história e quais são os aspectos realmente relevantes para trazer no primeiro contato que o leitor terá com ela.

3. Escolha o ponto de vista adequado

Decida quem será o narrador do prólogo e o estilo de escrita que melhor se adequa à sua história. Você pode optar por narrar o prólogo na primeira pessoa, terceira pessoa ou até mesmo usar um estilo mais descritivo ou poético, dependendo do tom que deseja estabelecer.

No meu caso, é importante que o livro comece com a perspectiva desta personagem coadjuvante, ao invés da protagonista, porque é o encontro das duas que funciona como o gatilho para a “aventura” narrada no livro. Apesar disso, eu tomei a decisão de não usar a primeira pessoa em nenhum momento da narrativa, porque não quis correr o risco de causar desconforto no leitor ao mudar a escrita após o prólogo.

4. Mantenha-o conciso e relevante

Lembre-se de que o prólogo deve ser uma introdução sucinta à sua história, portanto, evite incluir detalhes desnecessários ou prolongá-lo demais. Concentre-se nos elementos que são essenciais para preparar o leitor para o restante do livro, ou para alcançar os objetivos que você estabeleceu para estes primeiros parágrafos.

Como tudo na escrita, essa não é uma regra — mas, caso você não esteja confiante, escolher manter seu prólogo curto é a melhor opção.

5. Crie suspense ou interesse

A regra de ouro é: você precisa capturar a atenção do seu leitor o quanto antes. Se antes das redes sociais isso já era importante, depois do TikTok e dos anúncios por todos os lados, a atenção das pessoas está mais disputada que nunca.

Seguindo as outras dicas deste artigo e tendo um bom repertório de leitura, eu tenho certeza que você vai ser capaz de prender o leitor logo no prólogo! Se ainda estiver em dúvida, você pode usar leitores betas e receber feedback de quais pontos melhorar para deixar o início de seu livro ainda mais interessante 😉

Dessa forma, pense nos elementos de seu livro e em quais deles dispor nos primeiros parágrafos da história. Escrita é arte, mas também é estratégia.

Reverborum é pra quem ama escrever ✨

Agora você já sabe o que é prólogo de um livro e como criar o seu, mas se quiser continuar consumindo informação sobre escrita é só acompanhar o blog e as minhas redes sociais!

Se você ama escrever, vem criar essa comunidade comigo, e vamos aprendendo junto sobre essa coisa tão linda que é a palavra?

Uma resposta para “O que é prólogo de um livro e como escrever o seu”

Deixe uma respostaCancelar resposta

Janaina Cicari

A Reverborum é parte do sonho de criar uma comunidade que saia reverberando o verbo por aí. Nesse blog, você encontra conteúdo sobre escrita, literatura, criatividade e arte.

Reverbera comigo?

Descubra mais sobre Reverborum

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading